Os leitores de SARAMAGO certamente se lembrarão do engenhoso enredo de que ele se utilizou em seu famoso “Memorial do Convento”, quando estabeleceu uma relação entre histórias que pareciam dissociadas, como a da construção no século XVIII do Convento de Mafra em Portugal, a de um pitoresco casal, Baltasar Sete-Sóis e Blimunda, a do poder mágico desta última em ver as “vontades” nos seres humanos, e a ligação desse casal com o visionário padre Bartolomeu de Gusmão, que sonhava em construir uma passarola, ou seja, uma máquina que podia voar. E realmente voou, transportando seu inventor e o casal, Baltasar e Blimunda, sendo da atribuição desta última a fundamental atividade de recolher as “vontades”, com as quais o padre acreditava poder fazer a maquina voadora voar. O que realmente aconteceu, como sabem os leitores.
Mas o que SARAMAGO não quis incluir em seu famoso livro nós aqui revelamos, agora que o tempo da inquisição passou. É que além do padre e do referido casal, havia um outro ilustre personagem a compor a tripulação da passarola. Tratava-se de um juiz, cujo nome, contudo, permanecerá ainda hoje, depois de tanto tempo, desconhecido, porque se a inquisição não tem mais força, a magistratura, quem sabe, pode reclamar, e por isso convém não mencionarmos o nome do juiz.
Havia, pois, um juiz que, a convite do padre, viajou na passarola e que pôde testemunhar o que via. Mas o juiz sempre negou ter viajado. E talvez por isso SARAMAGO a ele não se referiu.
Mas o fato é que o juiz voou …
