Os aforismas têm a finalidade de demonstrarem uma verdade trivial, mas que por ser muito evidente, nem sempre é percebida. Como aquela que recomenda ao professor que não dê a seu aluno o peixe, facilitando-lhe a vida, senão que o ensine a pescar. Não surpreende, pois, que alguns juízes de tribunal tenham idealizado um curso destinado a advogados, para os ensinar como devem atuar perante um determinado tribunal. Em lugar de dar-lhes o peixe, estão a ensinar a pescar, ou melhor, a advogar.
Pode ser que a ideia vingue e que tenhamos em breve cursos espalhados pelo Brasil a fora, em que juízes, em seus vagares, disponham-se a ensinar os advogados, como a dizer-lhes o que não devem fazer perante os juízes, ou seja, perante eles próprios, os juízes-professores. Em vingando esses cursos, augura-se a melhoria da advocacia.
Mas as coisas sempre podem ser vistas por um outro lado. Quem sabe não se crie um curso misto, em que juízes e advogados sejam a um só tempo professores e alunos. Em contato próximo com os advogados, os juízes saberiam o que os advogados esperam de um bom julgamento. E os advogados, por sua vez, tomariam conhecimento daquilo que irrita os juízes, quando se deparam com um advogado que não conhece bem a causa pela qual advoga.
Mas e os litigantes? Talvez fosse proveitoso que juízes e advogados convidassem os litigantes, indagando-lhes o que esperam da justiça.
