É o que disse o ex-presidente de Portugal em sua página oficial nas redes sociais, como resposta à notícia de que seu filho e outras pessoas estão a ser processadas pelos crimes de prevaricação e abuso de poder. Expliquemos ao leitor do que se trata.

Uma brasileira, mãe de gêmeas, e próxima ao filho do presidente, conseguiu por enviesada forma obter do Estado português, gratuitamente quero dizer, o remédio mais caro do mundo, o “Zolgensma”, que era indistintamente negada a todos os cidadãos portugueses. O caso chamou a atenção, não porque se tratava de uma brasileira, mas sim pelo incomum fato de ter obtido gratuitamente um remédio que a ninguém o Estado português queria dar.

Esse lamentável fato, ocorrido no final do mandato, criou uma considerável desconfiança na opinião pública sobre a atuação do então presidente em favor de seu filho. Abuso de prestígio, prevaricação, acusações com as quais o então presidente teve que lidar, evitando, tanto quanto pôde, responder aos questionamentos da imprensa. E agora, com o processo instaurado, coube-lhe dizer que “ninguém está acima da Constituição e da lei”. Disse o óbvio, mas o óbvio é muitas vezes tudo o que não parece ser.