Há quem diga que o episódio envolvendo um ex-banqueiro caracterizar-se-ia como um puro fenômeno antropológico, e que como tal devesse ser estudado. Os donos do poder no Brasil, de que falou RAYMUNDO FAORO, teriam mudado seu comportamento. Mas a coisa pode ser vista de outra maneira, digamos mais altruísta.

As notícias que vêm das investigações em curso dão conta de que o ex-banqueiro pagou polpudos honorários a diversos advogados, encomendando-lhes pareceres, estudos e outros gêneros de trabalhos, alguns deles não propriamente jurídicos. Foram milhões de reais gastos com advogados no bojo de um fenômeno de natureza socioeconômico, compreendendo o que se poderia qualificar cientificamente como um verdadeiro fomento ao mundo dos advogados, quando estes estavam a viver um complicado período em que a competição aumentava e a renda caia.

Sensibilizado, o ex-banqueiro resolveu abriu seus cofres, contratando advogados, tomando-lhes o serviço e os remunerando em valores muito acima do mercado, o que, aliás, bem demonstra a finalidade altruísta de que estava imbuído o ex-banqueiro. Economista de formação, o ex-banqueiro, quem sabe,  não é apenas um penitente, arrependido por não ter escolhido uma carreira jurídica, e que para remir o que lhe ficou na alma por uma carreira que não pôde seguir, quer apenas ajudar os advogados, sabendo quão difícil é a sua profissão. Como dizia SCHILLER, “Um homem de valor pensa em si mesmo por último”. 

Quão belo certamente seria o mundo dos advogados se existissem mais altruístas como esse, movidos por uma grande sensibilidade e dispostos a pagarem honorários em vultosos e irreais valores, apenas como uma forma de homenagear essa difícil profissão que é a da advocacia?