Coincidentemente, o mecenato surgiu em Roma, a mesma Roma que fez criar o Direito. Havia aí nessa coincidência algo mais do que se poderia supor a nossa vã filosofia. Pois que o mecenato surgiu como uma forma de proteger e financiar poetas e artistas, como poderia ter surgido para a proteção e financiamento dos juristas, de que Roma então se fartava. Mas o tempo fez remediar essa falha.
Pois que surgem notícias de que o banqueiro, ora preso, agindo como um verdadeiro mecenas jurídico, pagou a desprotegidos juristas e autoridades públicas uma rodada com degustação de um uísque, despendendo com esse mecenato cifras que chegaram próximas a seiscentos mil dólares americanos (algo que, em dinheiro nosso, chegaria a três milhões de reais). Tratava-se, importante destacar, de uma degustação que ocorreu durante um congresso jurídico realizado em Londres, e que o famoso mecenas jurídico também financiou.
Não só os artistas merecem seu mecenas, que também os nossos juristas e autoridades públicas também merecem. Faltava apenas aparecer quem pudesse, gentil e despretensiosamente – que assim são os mecenas – pudesse desempenhar esse relevante papel.