Não há dúvida: devemos chamar pelo verdadeiro nome de “barbárie institucional” aquilo que envolve a divulgação em público de diálogos travados em particular. Afinal, um banqueiro e sua então namorada, conversando por mensagens trocadas ao celular, falando de muita coisa, inclusive de problemas íntimos ao casal, não é assunto de que deva a opinião pública saber.
Sucede, contudo, que uma parte substancial dessas conversas refere-se diretamente à coisa pública, ou seja, ao dinheiro público e as relações, nada republicanas, que o banqueiro mantinha com diversas autoridades.
E se devemos chamar as coisas por seu nome, não há dúvida de que, se constitui uma “barbárie institucional” a divulgação pública de conversas privadas, não podemos deixar de dar o mesmo nome de “barbárie institucional” ao que revela o conteúdo dessas malfadadas conversas, as quais demonstram o grau de promiscuidade entre o banqueiro e autoridades públicas, cuja gravidade é tamanha que aquilo que despertara a princípio a curiosidade do público quanto a façanhas amorosas e percalços do casal perdeu de todo seu interesse. E como diria o gaúcho: “Mas que barbaridade tchê!”