As coisas mudam e estão a mudar sempre. Até agora, um governante que estivesse em dúvida se poderia contratar sem licitação procurava um juspublicista e a ele encomendava um parecer. Mas a coisa mudou.

Um ministro do Tribunal de Contas da União, segundo informa um conhecido jornal, engendrou um curso destinado a governantes que não sabem se podem ou não contratar sem licitação. E para que esses zelosos governantes possam dormir com a consciência tranquila, o ministro do Tribunal de Contas criou um curso que vai direto ao ponto, ministrando eficientes dicas para que não sejam esses governantes condenados no mesmo Tribunal de que faz parte o palestrante.

São oferecidos cursos que custam a bagatela de quatro mil reais, em que o ministro promete fornecer aos interessados modelos de contratos, pesquisas de preços, e a cereja do bolo, que são as justificativas que costumam prevalecer quando a questão é levada ao exame do Tribunal de Contas.

Serão dois intensos de palestras, formando o curso  que, aliás,  tem o sugestivo nome de “Contratação direta sem licitação e sem problemas”. É certo que não há ainda informação precisa acerca desses “problemas”, mas essa indefinição não é senão que uma inteligente estratégia de marketing, que é ainda integrada pelo fato de que, junto com o ministro, um advogado também falará aos interessados, oferecendo-lhes seu escritório de advocacia, que é especializado no tema.

Como diz um provérbio antigo, não dê o peixe, mas ensine a pescar. É o que promete esse inédito curso.