Os jornais vão desaparecer. Mas de que jornais estamos a falar e vaticinar? Há algum tempo, desde que as redes sociais ganharam maior consistência, questiona-se se os jornais conseguirão resistir ao imediatismo que é próprio à “Internet”, em que as noticias são levadas ao conhecimento do leitor quase que ao mesmo tempo em que os fatos ocorrem. Algum tempo antes, haviam sido criados os jornais vespertinos, cuja finalidade era de reduzir, tanto quanto possível, o intervalo de tempo entre o fechamento da edição da manhã do jornal e as notícias que desde então ocorrido. As redes sociais passaram a ocupar esse lugar, praticamente eliminando esse intervalo de tempo, e com isso os jornais vespertinos desapareceram, em um destino que parece semelhante aos jornais em geral.
Mas eis que surge um fato de todo inesperado. Um conhecido investidor americano, cuja riqueza foi construída em grande parte por ter tido a perspicácia de perceber que as pessoas são ávidas por notícias e que isso é um negócio altamente lucrativo, esse conhecido investidor americano, WARREN BUFFETT acaba de perceber que os jornais, ou ao menos um dos jornais, o centenário New York Times, pode dar lucro e bons lucros, bastando que se saiba dar a seu o leitor o que ele mais preza: a certeza de que a notícia não é falsa. A empresa de BUFFETT acaba de adquirir boa parte das ações do jornal norte-americano, em uma transação que, segundo se noticia, chegou perto de trezentos e cinquenta milhões de dólares. Mas o que WARRENT BUFFETT terá visto nesse negócio, e ninguém mais?
Simples assim: o leitor das redes sociais não consegue e jamais conseguirá obter um selo de autenticidade na avalanche de notícias que as redes sociais lhe trazem a cada momento. É e será sempre impossível a esse leitor alcançar a certeza de que aquilo que lê pelas redes sociais terá realmente ocorrido. Mas o jornal pode dar a esse mesmo leitor tal certeza, bastando que o jornal se esforce para isso, o que passa primeiramente por adotar uma linha de isenção, seja naquilo que noticia, não modificando a realidade, seja no que forma o conteúdo do que publica em suas páginas, sejam as impressas, sejam as eletrônicas. Se o leitor percebe que seu jornal se relaciona intimamente com um determinado partido político e que as notícias que publica são tendenciosas, não há dúvida de que logo o abandonará.
Os pouquíssimos jornais que sobrevirão nesse novo mundo serão aqueles que darão ao leitor o que as redes sociais jamais lhe poderão dar: a credibilidade, que somente pode existir se houver um distanciamento do jornal em relação ao mundo da política e da economia. Teremos assim um inédito fenômeno: os jornais deverão ser o que jamais foram, porque nem mesmo o New York Times seguiu esse padrão de isenção. O sucesso do negócio depende exatamente disso.