Alguns magistrados brasileiros tomaram ao pé da letra o que escreveu CALAMANDREI em sua clássica obra, “Elogio dei giudici scritto da un avvocato” (Elogio aos juízes escrito por um advogado), em que o grande processualista italiano, exercendo na Itália a profissão de advogado, vendo de perto como era delicada e não bem compreendida a relação entre os advogados e os juízes, reunindo com sua experiência dados que se tornaram um trabalho de verdadeira psicologia, sugeriu que os advogados compreendessem melhor a função do juiz, enquanto este a daqueles, estreitando essa relação. O principal objetivo de CALAMANDREI era demonstrar que magistrados e advogados não eram figuras antagônicas, senão que estavam ligados a um mesmo objetivo, o de fazerem justiça, e que isso não bem compreendido de lado a lado.
Mas em nenhuma passagem desse livro, nem em qualquer outro que ele escreveu, CALAMANDREI desconsidera a importância da independência do juiz, que, por óbvio, é afetada quando a relação de proximidade entre magistrado e advogado torna-se perigosa, ou seja, quando uma amizade tão intensa pode comprometer a independência do magistrado, tornando-o parcial.
Os episódios recentes envolvendo alguns magistrados que, a bem demonstrar possuem com
