Faleceu hoje em Portugal o filósofo, escritor e médico, ANTÓNIO LOBO ANTUNES. Terá sido, para muitos, um construtor e desconstrutor da literatura portuguesa. Dentre seus diversos livros (escreveu cerca de vinte e nove romances), há um que certamente despertará no leitor brasileiro um especial interesse, sobretudo nestes tempos bicudos em que vivemos, em que se começa a descobrir e a descortinar como operam as relações que o poder econômico mantém com os poderes estatais, ou mais precisamente com algumas autoridades.
Refiro-me ao livro “Tratado das Paixões da Alma”, que é de 1990 e nele LOBO ANTUNTES, ainda tateando no campo das experiências, narrando-as inicialmente sob uma forma autobiográfica, depois trata das complexas relações entre um juiz de instrução e um réu acusado de pertencer a uma rede terrorista. Amigos de infância, cada qual reflete como veem as lembranças de sua respectiva vida e como isso se projeta no processo judicial. Sob uma perspectiva acentuada psicológica, LOBO ANTUNES analisa como as relações de infância e de amizade podem de algum modo impactar a visão que o juiz tem do processo. Relações, algumas dessas, perigosas.
