A cada dia surge uma informação nova, que não faz senão demonstrar quão deveras preocupado estava o mecenas jurídico, ex-banqueiro, em que se aprimorasse o estudo do Direito em nosso país, fomentando congressos jurídicos e a participação de grandes expoentes, tanto do mundo jurídico, quanto do mundo político, e também empresarial, que este não pode nunca faltar. E ainda que se tratasse de um congresso realizado em terras estrangeiras, cujos custos naturalmente eram estratosféricos, o mecenas jurídico não fugia à sua responsabilidade.
É o que comprova informação emanada de investigação da Polícia Federal, que revela que o mecenas jurídico e ex-banqueiro custeou a ida de importantes políticos brasileiros ao congresso jurídico que então se realizava em Lisboa, onde se debateriam temas de profundo interesse à nossa democracia. Pois bem, imbuído com o forte sentimento democrático e de cultivo à Ciência do Direito, o mecenas jurídico e ex-banqueiro percebeu que ao referido congresso, malgrado a sempre reconhecida qualidade de seus palestrantes, não poderia faltar a presença de autoridades brasileiras de grande calibre e que poderiam contribuir com um evento jurídico daquela grandeza, quando menos por sua simples presença, a demonstrar que o Estado brasileiro está em todos os lugares, ainda que muitas vezes pareça não estar em lugar nenhum.
Naturalmente, que esse custeio deveria abarcar a hospedagem em bons hotéis, além de fartas refeições, tudo enfim que pudesse deixar os convidados à vontade no referido congresso jurídico. A demonstrar que o mecenas jurídico era insuperável em suas benfazejas ações em prol do estudo e da ciência.
Façamos um parêntese: nada de mais útil à vida da democracia do que a invenção da delação premiada, e depois dela da necessidade de que o acordo deva ser homologado por dois organismos estatais diversos, como são a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal. Mas, mais importante do que tudo isso são as redes sociais, que a todos tudo revela. Não existissem as redes sociais e não ficaríamos a saber dessas preciosas informações, que demonstram como há ainda gente que preza a ciência …
