Segundo os bons dicionários, “previdente” é quem prevê, ou seja, que é um vidente, mas também é “previdente” quem adota medidas que podem evitar algum transtorno. Pois bem, MACHADO DE ASSIS é um previdente tanto em um sentido como noutro, segundo demonstra JOSUÉ MONTELLO em seu “Diário da Tarde”, referindo-se ao crítico e escritor AUGUSTO MEYER, que vinha de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras em 12 de maio de 1960.

Observa MONTELLO que, MACHADO DE ASSIS, em suas “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, escreveu:

Olhai: daqui a setenta anos, um sujeito magro, amarelo, grisalho,  que não ama nenhuma coisa além dos livros, inclina-se sobre a página anterior, a ver se lhe descobre o despropósito; lê, relê, treslê, desengonça as palavras, saca uma sílaba, depois outra, mais outra, e as restantes, examina-as por dentro e por fora, por todos os lados, contra a luz, espaneja-as, esfrega-as no joelho, lava-as e nada; não acha o despropósito”. 

Esse sujeito magro e amarelo viria a ser precisamente AUGUSTO MEYER, como ele próprio o reconheceu, apenas com o reparo de que não era pálido, nem grisalho.  MEYER passou a vida estudando as obras do “Bruxo do Cosme Velho”, como chamava a MACHADO DE ASSIS.