Não sei bem a razão, mas há algo relacionado às novas regras da sustentação oral que me fazem recordar de um pitoresco episódio envolvendo o Rei Pelé, já então mundialmente famoso.
Segundo as novas regras da sustentação oral, o advogado deve gravar um áudio e encaminhá-lo para que os juízes “ouçam” a sustentação oral antes do julgamento do recurso em tribunal.
Pois bem, o episódio a que me refiro ocorreu na década de cinquenta. Um radialista estava presente em um pequeno estádio em que Pelé jogaria, e não teve dúvida. Sem dispor do equipamento necessário para a radiodifusão (antigamente o equipamento era pesado), o radialista sabia que não podia perder a grande chance de entrevistar o Rei. E o que fez? Pegou uma lata de óleo e a pintou de forma que parecesse um microfone, que, naquela época, tinha mesmo a forma de uma lata de óleo. O radialista correu até Pelé e o entrevistou, utilizando-se da lata de óleo. Pelé só descobriu depois que não tinha falado para ninguém, senão que apenas para aquele radialista, que, aliás, emocionado, não se lembrava (e ainda hoje não se lembra) do que Pelé falou.
Parece-me, pois, que, infelizmente, em muitos casos, o advogado fará a sua sustentação oral para ninguém, como se estivesse a falar para a lata de óleo.